Alteração morfológica das hemácias

A série eritrocitária frequentemente é mais estudada por:

- Contagem de hemácias, dosagem de hemoglobina e determinação do volume hematócrito, parâmetros através dos quais são determinados os índices hematimétricos;
- Estudo do aspecto morfológico dos eritrócitos, feito em extensão sanguínea corada;
- Determinação da presença de eventuais eritroblastos no sangue periférico;
- Contagem de reticulócitos.

A observação da MORFOLOGIA DOS ERITRÓCITOS é de grande importância para o diagnóstico do tipo de ANEMIA. É obvio que para esta observação é necessário que a lâmina em exame tenha sido preparada dentro das condições técnicas recomendadas. As alterações morfológicas dos eritrócitos podem ser agrupadas segundo as variações de TAMANHO ( anisocitose ), de FORMA ( poiquilocitose ) e de COR ( anisocromia ).

ANISOCITOSE

Os eritrócitos de tamanho normal são chamados NORMÓCITOS e apresentam diâmetro com cerca de 6,5 – 8,5μ (média 7,5μ). Quando alterados em relação ao tamanho são denominados:

Micrócito: apresenta-se menor que o normal, com diâmetro abaixo de 6μ; origina-se de microeritroblastos e é a forma alterada mais comum; geralmente ocorre nas DEFICIÊNCIAS de FERRO e nas TALASSEMIAS;

Macrócito: apresenta-se maior que o normal, com diâmetro de 8,5 - 10μ; origina-se de macroeritoblastos e geralmente ocorre por DEFICIÊNCIA de VITAMINA B12 e de ÁCIDO FÓLICO;

Megalócito: apresenta-se bem maior que o normal, com diâmetro acima de 10 μ; geralmente apresenta forma ovalada e origina-se de megaloblastos, ocorrendo nas ANEMIAS MEGALOBLÁSTICAS.

POIQUILOCITOSE

O eritrócito normalmente possui a forma de um disco bicôncavo. Quando visto de frente apresenta uma região central mais clara (halo) do que a da zona periférica. Isto decorre em virtude da distribuição da hemoglobina no interior do disco. Quanto às alterações de forma as hemácias podem ser:

Hemácia em Alvo (“target cell”) ou codócito: a hemácia apresenta dupla biconcavidade de tal maneira que, quando projetada em um plano, a hemoglobina é visualizada em uma pequena faixa periférica e, geralmente, na parte central, o que lhe dá o aspecto “em alvo”. Ocorre em alta porcentagem na Anemia de COOLEY ou TALASSEMIA “Major” (Talassemia onde ocorre um aumento da Hemoglobina fetal); em menor quantidade na TALASSEMIA “ Minor”, embora também possa ser encontrada em outras Anemias Hemolíticas, em algumas DOENÇAS HEPÁTICAS, e outras.

Hemácia em Alvo

Hemácia Esferocítica: apresenta forma esférica (a proteína da membrana é alterada a ponto de não manter a biconcavidade); a hemoglobina distribui-se uniformemente, dando a impressão de a célula estar mais corada que o normal; geralmente apresenta-se na forma de MICROESFERÓCITO. Pode haver diminuição de espectrinas, de anquirina, etc. na membrana destas hemácias. Ocorre nas Anemias Hemolíticas Esferocíticas Hereditárias e Adquiridas.

Hemácia Esferocítica

Hemácia Ovalocítica e Eliptocítica: apresentam formas ovaladas e eliptocíticas, respectivamente, ocorrendo em apreciável quantidade na Anemia Hemolítica Hereditária Ovalocítica ou Eliptocítica e segundo alguns autores também podem ser encontradas, secundarimante, às LEUCEMIAS, TALASSEMIAS . Pode ocorrer por diminuição de espectrina, glicoforina C, etc.

Hemácia Ovalocítica e Eliptocítica

Hemácia Falciforme: apresenta-se com a forma de foice ou de meia lua, com espículas nas extremidades (às vezes apresenta-se com múltiplas espículas). Usualmente a hemácia adquire esta forma quando submetida a condições de hipóxia; ocasionalmente podemos encontrar hemácias falciformes na extensão sanguínea. O encontro desta forma de hemácia na Prova de Falcização e na Eletroforese de Hemoglobinas, caracteriza a HEMOGLOBINOPATIA-S.

Hemácia Falciforme

Hemácia Acantocítica ( akantha=espinho ): apresenta forma geralmente arrendondada, com proeminências ponteagudas. Ocorre em um tipo de ANOMALIA HEREDITÁRIA, caracterizada por uma alteração do metabolismo dos fosfolípides, ocasionando ausência de Betalipoproteínas. Com maior frequência, pode ser observada forma semelhante em pacientes portadores de cirrose e em pacientes submetidos à medicação com heparina.

Hemácia Acantocítica

Hemácia Dacriocítica: são células com forma de lágrima ou gôta, e o nome também tem origem grega (dacry significa lágrima). O tamanho dos dacriócitos é variável, e pode ser normocrômico ou hipocrômico. Os dacriócitos são observados na mielofibrose com metaplasia mielóide, devido à atividade fagocitária dos macrófagos do SRE do baço, que nesta doença apresenta-se aumentado. Em outras doenças, como são os casos de anemia mielotísica, anemia perniciosa, talassemia beta, em oxidações da hemoglobina com formação de corpos de Heinz, e tumor metastático na medula óssea.

Hemácia Dacriocítica

Hemácia Estomatocítica: geralmente apresenta a hemoglobina distribuída de tal forma que o halo claro central toma um aspecto elíptico, assemelhando-se a uma “ boca”; isto se deve ao formato do eritrócito e caracteriza um tipo de ANEMIA HEMOLÍTICA HEREDITÁRIA rara, onde há extrema hipermeabilidade da membrana à cátions monovalentes; com certa freqüência, esta forma de eritrócito pode ser observada como decorrência de artefato de técnica.

Hemácia Estomatocítica

ANISOCROMIA

Normalmente, quando coradas por corantes panóticos, as hemácias normais apresentam uma coloração rósea, com um halo central mais claro. Quando às alterações de cor, as hemácias podem ser:

Hemácia Hipocrômica: o halo central é maior que o normal (maior que 1/3 do diâmetro celular); a hemácia contém menor quantidade de hemoglobina, devido a um achatamento da célula. Geralmente é microcítica, ocorrendo nas ANEMIAS FERROPRIVAS. TALASSEMIAS e outras.

Hipocromia

Hemácia Hipercrômica: na realidade não há uma hemácia hipercrômica verdadeira, pois a hemácia normal está saturada com hemoglobina. Nos casos em que a célula é mais “espessa” a coloração aparece mais intensa (ex: esferócito), apresentando uma aparência densa ou “HIPERCRÔMICA”. Portanto, deve-se empregar o termo HIPERCROMIA, que indica a hemácia na qual o conteúdo de hemoglobina ( medido pelo Índice Hematimétrico HCM ) é maior que o normal. Isto ocorre nos macrócitos e megalócitos, porém a Concentração da Hemoglobina Corpuscular Média (CHM) não excede a do normal, ou seja, a hemácia não transporta hemoglobina além da sua capacidade de saturação.

Hipercromia Relativa

Hemácia Policromática: designa a hemácia que, quando corada por corantes panóticos, apresenta uma basofilia (devido à presença de RNA ribossômico) e uma acidofilia (devido à presença de hemoglobina), mistas ( na realidade uma coloração ligeiramente azulada ou acinzentada). Em geral, ocorre nas células que perderam o núcleo antes da hemoglobinização completa no citoplasma e que ainda não perderam os ribossomas. Aparece em casos de ANEMIAS HEMOLÍTICAS, secundariamente às leucemias, e outras.

[Faculdade de Ciências Farmacêuticas - USP http://migre.me/7ENxT]

Brunno Câmara Biomédico

Biomédico Residente em Hematologia e Hemoterapia no Hospital das Clínicas - UFG (HC-UFG). Criador e administrador do blog Biomedicina Padrão. Colunista do portal LabNetwork.

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