Velocidade de hemossedimentação (VHS)

A velocidade de hemossedimentação é um teste de laboratório simples e de baixo custo utilizado há mais de 50 anos como marcador de resposta inflamatória. Apesar de ainda ser usado rotineiramente na prática clínica, o exame apresenta poucas indicações precisas devido à baixa sensibilidade e especificidade.

MANUAL AUTOMÁTICO

Existem, atualmente, vários métodos laboratoriais para verificar a existência de marcadores de resposta inflamatória. A velocidade de hemossedimentação (VHS) é um teste simples e de baixo custo que tem sido usado, há mais de meio século, com este objetivo.

O exame consiste na medida da altura da camada de hemácias de uma amostra de sangue venoso anticoagulado que se sedimenta em um tubo de vidro graduado num determinado período de tempo. Ainda hoje, a VHS vem sendo utilizada com frequência na prática clínica como marcador inespecífico de doenças. Porém, vários fatores podem afetar o resultado da VHS, produzindo tanto resultados falso-positivos como falso-negativos, levando à dificuldades diagnósticas ou a investigações subsequentes caras e desnecessárias. Ainda assim, esse pode ser um exame útil, quando bem indicado.

MECANISMOS DE SEDIMENTAÇÃO

A sedimentação eritrocitária depende da agregação das hemácias e da formação de rouleaux. Quando as hemácias se agregam ao longo de um mesmo eixo formando rouleaux (figura), o peso da partícula aumenta em relação à sua superfície, aumentando sua densidade e promovendo uma sedimentação mais rápida. A formação de rouleaux é limitada pela carga negativa das hemácias que tendem a se repelir.

rouleaux Hemácias de perfil, formando rouleaux.

Numerosas macromoléculas plasmáticas, dentre elas várias proteínas, são carregadas positivamente e, assim, são capazes de neutralizar a carga da superfície eritrocitária, levando à maior agregação das hemácias e à consequente formação de rouleaux. Quanto maior e mais assimétrica for a macromolécula, maior seu poder de promover agregação eritrocitária. Assim, dentre as proteínas plasmáticas, o fibrinogênio produz o maior efeito agregante, seguido das globulinas e da albumina.
Hemácias macrocíticas apresentam uma diminuição da relação superfície/volume da hemácia, o que reduz sua carga elétrica em relação à sua massa, facilitando a agregação. Desta forma, macrócitos sedimentam-se mais rapidamente, enquanto micrócitos sedimentam-se mais lentamente. Hemácias com formas irregulares (poiquilócitos) impedem a formação adequada de rouleaux, diminuindo a VHS.

VALORES DE REFERÊNCIA

VR 

INDICAÇÕES PARA O USO DA VHS

A VHS nunca deve ser usada para rastreamento de doenças em pacientes assintomáticos ou com sintomas inespecíficos. Apesar de, na prática clínica, ainda ser muito usada com esta finalidade, vários estudos estabeleceram que a VHS apresenta valor limitado nestas situações.

Testes de rastreamento necessitam de boa especificidade e sensibilidade para que tenham um custo-benefício favorável, o que não ocorre com a VHS. Na maioria das vezes em que se observa aumento da VHS, sem qualquer outra alteração clínica ou laboratorial, este é um aumento transitório. Nestes casos, não é necessária nenhuma propedêutica mais aprofundada, além da repetição do exame, que retornará aos valores de referência após algumas semanas, na maioria dos pacientes. Naqueles sintomáticos, o exame clínico e outros exames complementares levarão ao diagnóstico, ficando a VHS em segundo plano.

No rastreamento de infecções, a presença de febre e leucocitose são alterações mais fidedignas e mais precoces que a elevação da VHS. Além disso, outros testes laboratoriais, como a dosagem da proteína C-reativa, apresentam maior sensibilidade. Entretanto, em pacientes idosos, alguns estudos sugerem que, associada à clínica, a VHS pode ser usada para rastreamento de doenças, ajudando a selecionar pacientes para os quais uma investigação mais extensa seria indicada.

Atualmente, o uso da VHS como auxílio diagnóstico está restrito à apenas duas doenças: polimialgia reumática e arterite temporal.

Significado de valores muito elevados da VHS

Resultado de VHS maior que 100mm/h geralmente está associado a infecção, câncer ou doenças inflamatórias do tecido conjuntivo, nesta ordem. Nestes casos, a taxa de falso-positivo é muito pequena, e a especificidade do teste é elevada. Em menos de 2% dos pacientes com VHS muito elevada nenhuma causa é encontrada.  Apesar da prevalência de valores acima de 100mm/h ser muito pequena, quando ocorrem, eles devem ser investigados. Quando sintomas de infecção estão presentes, exames mais apropriados, como culturas, devem ser realizados. Não se recomenda a realização de propedêutica extensa para doenças malignas em pacientes sem sintomas específicos. Contudo, eles devem ser acompanhados clinicamente, pois a neoplasia pode se manifestar com o passar do tempo.

Fonte

Brunno Câmara Biomédico

Biomédico Residente em Hematologia e Hemoterapia no Hospital das Clínicas - UFG (HC-UFG). Criador e administrador do blog Biomedicina Padrão. Colunista do portal LabNetwork.

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